A Enfermagem de Reabilitação no processo sistemático de descanulação de traqueostomia: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.33194/rper.2026.44766Palavras-chave:
Enfermagem em reabilitação, descanulação, protocolo clínico, relato de casoResumo
Introdução: O aumento do número de pessoas traqueostomizadas, associado a internamentos prolongados e a processos de descanulação pouco sistematizados, constitui um desafio crescente nos contextos hospitalares. A evidência científica demonstra que a implementação de protocolos estruturados, conduzidos por equipas multidisciplinares com forte envolvimento do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação, pode reduzir o tempo de traqueostomia sem comprometer a segurança da pessoa. Este estudo tem como objetivo analisar os ganhos associados à implementação de um protocolo sistematizado de descanulação numa pessoa com traqueostomia.
Metodologia: Estudo de caso descritivo, de natureza narrativo-retrospetiva, desenvolvido num serviço de cirurgia, entre agosto e setembro de 2025, em conformidade com as diretrizes CARE. O caso refere-se a uma pessoa adulta com lesão medular cervical traumática, submetida a traqueostomia após ventilação mecânica invasiva prolongada. A intervenção centrou-se num programa de enfermagem de reabilitação, integrando reeducação funcional respiratória e motora, com base num protocolo institucional de descanulação.
Resultados: O processo sistemático de descanulação foi iniciado após validação dos critérios clínicos, culminando na descanulação em seis dias, sem intercorrências. Verificaram-se ganhos funcionais relevantes, nomeadamente recuperação da alimentação por via oral, remoção da gastrostomia endoscópica percutânea e melhoria da força muscular do membro superior direito.
Discussão: Os resultados obtidos corroboram a evidência científica que sustenta a intervenção central do EEER na gestão do processo de descanulação, particularmente em pessoas com lesão medular cervical. Neste caso específico, a aplicação de intervenções especializadas e sistematizadas, aliadas a uma monitorização clínica rigorosa, poderá ter favorecido uma transição segura da dependência respiratória para a respiração autónoma. A adoção de critérios objetivos, em articulação com uma abordagem multidisciplinar, parece igualmente ter facilitado o processo de descanulação, mantendo padrões de segurança e qualidade dos cuidados.
Conclusão: Neste caso específico, a implementação de um protocolo sistematizado de descanulação, liderado pelo EEER, parece ter favorecido uma descanulação segura, associada a ganhos funcionais relevantes para a pessoa.
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